A areia que o vento paulatinamente foi acumulando num enorme e respeitável monte, ao fim e ao cabo, não passava de um esforço extemporâneo. Pois apenas com uma mão podemos perturbar os sons do silêncio, momentos efémeros que se propagam num eterno eco.
Já diziam vozes distantes… palavras leva-as o vento, porém até as mais ínfimas acções são precedidas de palavras… mesmo que mudas e oprimidas.
E porque as palavras são, simultaneamente, as primeiras e as últimas a se criarem e, consequentemente, a se perderem… deixo aqui algumas que vão escorregando pelos meus dedos.
R.